quinta-feira, 20 de março de 2014
para Caroline
terça-feira, 18 de março de 2014
come chocolates pequena
Hoje passei umas dez horas em pé com uma câmera atrás de mim. Meu pé está mais cansado que o das velhinha do alojamento. O Charly não consegue mais dormir e acumula olheiras cor de jabuticaba no rosto. Grabo, nosso assistente de direção está febril, devido a seu acúmulo gigante de funções. Tatu também começou com uma tosse e Eliane desenvolveu uma alergia. Todos nós esperamos ansiosamente as nossas merecidas e ininterruptas horas de sono. E veio a véspera de folga. Nos jogamos num restaurante georgiano, nos esbaldamos com os chopes e os kebabs e os sacos cossacos, uns raviólis gigantes de carne. Depois caímos numa balada e dançamos como crianças na pista que variava entre daft punk, lambada, e música pop russa. Fizemos trenzinhos com os russos quando tocou “Chorando se foi...”. Conversei longamente com uma russa que defendia o Putin. E eu disse: “Mas não é perigoso um homem que está proibindo, por exemplo, o povo de comprar bebida álcoolica depois das onze da noite no mercado?”. Ela disse que não, que as pessoas de bem podem comprar bebidas até as dez e meia ou tem condições de ir a um bar para consumir álcool. E que Putin está ajudando a acabar com a imagem de bêbados que o russos tem no resto mundo. Paramos a conversa por aí. Outro dia era 23:02 e a caixa não pode passar o champanhe que eu queria tomar naquela noite. Os champanhes são bons aqui, e não são caros, o que é um perigo para mim. Na volta da balada, passamos duas horas num taxi surreal para chegar ao alojamento. Lá pelas tantas ele parou o carro e nos empurrou para um taxi oficial. O motorista queria cobrar uma fortuna, e nós estávamos bêbados e voltamos correndo para o carro anterior, cujo motorista não tinha a menor ideia do caminho de nosso dormitório.
14 de março
15 de março -5 graus
sábado, 15 de março de 2014
ação!
quarta-feira, 12 de março de 2014
o diário do filme do diário
quarta-feira, 5 de março de 2014
um set em moscou
segunda-feira, 1 de julho de 2013
a noite um passarinho
segunda-feira, 1 de abril de 2013
meu avô Alex
Eu nunca consegui dizer o nome dele por inteiro, um nome inglês, difícil. Para mim era o vovô Alex.
Um homem colérico, entusiasmado e generoso. Sempre falei muito da minha avó, da sua coragem, força, mas quase nunca dele. Quando lembro do meu avô, penso em como ele era bricalhão, na gula que ele tinha, nos molhos mirabolosos de salada que ele inventava, nas viagens que fazia, no gosto que tinha com os filmes, as peças que via. Mas penso sobretudo na audácia que ele teve quando casou com minha avó: uma mulher que além de cega, ele teve que dividir durante toda sua vida com a causa pela qual ela lutava. E o quanto ele a ajudou e a apoiou em sua missão.
Ponto para o meu avô, sei que não foi fácil.
Que homem corajoso e que sorte a minha de herdar dele esse Nowill difícil de pronunciar. Esse Nowill que se me faz ser tão impulsiva, colérica, mal educada às vezes e tão ansiosa, também me dá a coragem, a elegância, o talento para o fogão, o humor, a braveza, a esperteza e a pontualidade quase sempre britânica em minha vida. Pensando bem acho que a pontualidade não é muito característica dos Nowill não, isso é meu mesmo.
O Nowill me coloca para frente, embora o nome sugira o contrário à primeira vista.
Quando Alex foi marcar o primeiro encontro com minha avó Dorina pelo telefone foi logo avisando: "Olha, eu sou feio, viu!", no que ela retrucou: "Tudo bem, eu sou cega mesmo." E assim começou a nossa familia.
Havia muito amigos e familiares no velório, mas o que mais se via eram os netos rodeando seu caixão. Não sei o que meus primos estavam sentindo além da tristeza e do vazio. Eu senti gratidão.
Gratidão e amor. E quando chegou a hora de levar seu corpo ao cemitério, acabei por acaso embicando meu carro atrás do carro do serviço funerário que era conduzido por um sujeito magricela, e que fumava um cigarro com gosto enquanto desfilava calmamente o corpo do meu avó pela cidade. Lembrei do poema do Bandeira:
momento num café
Quando o enterro passou
Os homens que se achavam no café
Tiraram o chapéu maquinalmente
Saudavam o morto distraídos
Estavam todos voltados para a vida
Absortos na vida.
Um no entanto se descobriu num gesto longo e demorado
Olhando o esquife longamente
Este sabia que a vida é uma agitação feroz e sem finalidade
Que a vida é traição
E saudava a matéria que passava
Não que alguém tivesse tirado o chapéu enquanto a gente ia da São Carlos do Pinhal até o cemitério da Consolação, mas eu fiquei honrada de ser o primeiro carro a seguir meu avô, me senti guardiã daquela travessia. E embora os pedestres não saudassem o esquife como sugere o poema, e um taxista insistisse em furar a nossa fila, o cortejo me pareceu digno de um lorde inglês. Nosso lorde.
E aí parei para pensar no poema que eu costumava declamar entre os meus dezessete e vinte anos. Naquela época eu pensava, é, a vida é mesmo uma agitação feroz e sem finalidade, achava a frase bonita, sonora.
Hoje minha vida continua feroz, agitada, mas eu descobri sua finalidade, e tenho certeza de que você cumpriu a sua vovô, por inteiro, por isso descanse em paz. E todo meu amor para você.
com ele, preparando um molho de salada....
quarta-feira, 21 de novembro de 2012
ternura pelos homens na academia
terça-feira, 16 de outubro de 2012
E se a gente?
"Meu Deus, não temos uma toalha xadreza!"eu gritaria, e ele com seu sorriso: on s'en fout! Sim , foda-se, completo eu, vamos usar sua camisa no lugar da toalha. E me encanto por uma senhora em conjunto de tailleur cor-de-rosa-bebê e chapéu combinando que aguarda na fila do caixa ao lado, enquanto minha excelente companhia, sua barba camisa e sapato, e eu vejo que ele tem o pensamento longe, entrega uma nota de vinte euros para a moça. Ele segura minha mão, “cuida das cerejas”, ordena e voltamos para a rua. Eu e minha excelente companhia de barba por fazer camisa amassada olhos doces e brilhantes como um alazão atravessamos um grupo de crianças entre cinco e oito anos vestidas em uniformes encardidos na saída da escola. Pequenos parisienses eu digo, ao que minha adorável companhia sorri: futuros parisienses mal humorados, retruca. Minha excelente companhia ri para dentro enquanto rio para fora e sei que o ar que utilizamos para nos comunicar se encontra e se mistura em algum lugar no meio do caminho entre nossos pulmões e a estratosfera. Olho para a garotinha francesa que carrega uma mochila maior do que ela, como era chato usar uniforme, penso. Depois repito o pensamento em voz alta, feliz por estar de vestido, sapatos e bolsa a tiracolo. Minha companhia em barba por fazer, sapato de couro, olhos de cavalo, oscila entre um grande coração e sua ironia pontiaguda enquanto fala em voz grave baixa: tem um parque bonito ali. Minha mão não transpira há anos, mas tenho medo que o barulho da rua seja menor que os saltos que meu coração dá. Meu coração é mesmo um atleta, penso dentro do vestido coral, sapato e bolsa conhaque. Me empresta a baguete? digo, e só nos falta uma bicicleta para parecermos objetos de cena de um filme da Nouvelle Vague. Eu em coral e minha excelente companhia com sua ironia pontiaguda, calça e cabelos cor-de-burro-quando-foge adentramos um parque tipo folha de calendário sem um só eletrônico nos bolsos. Nosso pequeno mundo não tem wifi, sinal de celular ou feed de notícias. Quebro a ponta da baguete e mastigo com furor um pedaço de pão enquanto minha adorável companhia com olhos de alazão, barba por fazer, sapatos formidáveis e mãos de agricultor procura um abridor de vinho no café mais próximo. Aproveito para montar o melhor sanduíche do mundo, e sim, arranco um punhado de grama e coloco entre o queijo e o pão. Ou não, melhor não. E eis que volta minha linda companhia dentro de sua camisa mal passada, passando suas mãos de agricultor na barba que está por fazer, me olhando com seus olhos tristes de alazão, pisando firme em seus sapatos aceitáveis e sorrindo como se fosse o sacana que ele não é. Traz um abridor na mão. E por que você não abriu a garrafa lá?, pergunto. "Mas vai que a bêbada aqui resolve comprar outra garrafa no caminho...", ele ri. "E afinal, ganhei o abridor de cortesia." Eu também te daria um abridor, meu bem, se você fosse ao meu café com essa cara de excelente companhia que só você tem. Ao que meu par me pede como se me pedisse em casamento:
segunda-feira, 20 de agosto de 2012
A primeira confissão
A primeira confissão, por Martha Nowill
ESPECIAL PARA A FOLHA
| Arquivo pessoal | ||
| A atriz Martha Nowill, aos oito anos, na primeira comunhão, em 1989 |
terça-feira, 7 de agosto de 2012
teria graça se fosse de outro jeito?
segunda-feira, 14 de maio de 2012
só garotos
quinta-feira, 12 de abril de 2012
fato
-cara
-o 3g da tim não resiste a uma garoa paulista
-São Paulo sem chuva judia dos nossos pulmões
-com chuva judia de todo o resto
-gentileza é ouro
-é deselegante entrar no carro de alguém falando no celular e assim permanecer durante todo o percurso
-amor não tem especificidade
-não, eu não tenho cartão Mais
-o verbo instagramar deixou o googlar obsoleto
-obsoleta sou eu, no meio da chuva e da pista de vinte poucos anos do lolapalooza
-eu não tenho mais vinte e poucos anos
-não, eu não estou em cartaz
-mato ruim cresce depressa
-enquanto a gente atua, dança e sapateia, tem um pessoal ganhando muito dinheiro por aí
-ainda não consegui o contato desse pessoal para futuros patrocínios
-eu hei de conseguir
-não, eu não tenho what´s up
-por que não
-quem tem vergonha na cara ruboriza
-mascando chiclete qualquer um tem o ar estúpido
-eu só masco chiclete escondida
-um bom haikai pode salvar o dia
-um cigarro pode salvar a foto
-nem um grande ator pode salvar uma pessima ideia
-mas um vestido pode salvar uma mulher
-ideia não tem mais acento, de resto, creio não ter absorvido as novas regras da língua portuguesa
-em voz alta, a língua mais linda do globo é o italiano
-pena que aprender espanhol seja mais produtivo
-lindos os italianos também
-não, a balança não está desregulada, você é que comeu demais
-como é bom comer
-como é bom ter amigos
-como é bom conseguir uma carona fim de noite
-como é bom subir os vinte e três andares sem ninguém no elevador
-como é bom cinema, pipoca e mãos
-como é ruim a projeção do Bristol
-eu deveria parar de ir ao Bristol
-eu deveria parar de ir em testes de publicidade
-eu nunca mais vou num teste de publicidade
-a não ser que o cachê seja mais de quinze mil
-como eu sou barata
-haja dinheiro para ser solteiro
-haja tempo para ser polígamo
-haja fé para o amor
-haja amor para descartar a fé
-eu acredito em mim, em bruxas, duendes, ETs e café turco
-no mais, depois de entupir os bueiros, as águas correm para o mar
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
o dia em que eu fiz as malas para sair de casa
(eu e os pinguins)
As geleiras azuis que vi no fim do mundo e que me fazem lembrar que um dia elas não estarão mais lá. Ver uma geleira derretendo é triste, como é triste o fim do amor. Mas a ideia de que elas não acabam, só se liquefazem, me ajuda a entender as coisas que se passam no meu coração. E só posso agradecer a este homem, que além de encarar uma mulher como eu (aqui caberia um parênteses extenso, já que tenho consciência de ser uma mulher bacana de conviver, mas não exatamente simples ou fácil), enfim, agradecer a este homem que me mostrou o amor com tanta generosidade.
Tenho sentido desejo de comer manga com morango toda manhã, tenho sonhado com mortes noite sim, outras não, e esquecido de escrever as sílabas finais de todas as palavras no bilhetes redigidos a mão. Não, não estou grávida. Estou feliz, melancólica, esquisita. E pronta.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
to be, or not
terça-feira, 15 de novembro de 2011
nem tudo em mim se encaixa

Quando olhei para o lado estes dois faróis estavam me escancarando numa sorveteria na cidade de Santa Cruz. É uma cidade universitária, full of life. Como a luz começou a baixar muito mais rápido do que eu gostaria, tive que voltar para a estrada e chegar em São Francisco num horário razoável. E assim que enfiei meu carro nela, dei de cara com isso.
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
cadê meu cd do engenheiros?







Em cinco minutos a terra se movimenta de tal forma que o sol se atira no oceano antes que se possa terminar o cigarro. A estrada que vai de Los Angeles para São Francisco é tão linda que dá vontade de chorar. Highway 1. Então você estaciona o carro na tentativa de olhar a paisagem com mais calma e poder reter parte da beleza obcena de tudo aquilo. Mas não é suficiente, por que a beleza, como escreveu o poeta, "A beleza é um conceito/ E a beleza é triste/ Não é triste em si/ Mas pelo que há nela /De fragilidade e incerteza".
E na tentativa de guardar o incerto e inguardável, a beleza, você resolve tirar uma foto, que de forma alguma faz jus a realidade. O que se pode fazer então, a não ser tentar arrumar um bom lugar na cabeça para poder arquivar os eventos que deveriam ser inesquecíveis? Bom, esperar que outas preciosidades como essa se derretam diante dos nossos olhos outras vezes na vida.
Acelerar muito não pode, mas dá para ouvir música alta, que também dá um barato bom na coisa toda.
E como as rádios americanas começaram a falhar quando o caminho se estreitou no meio dos penhascos eu pensei: Onde esta meu cd do Engenheiros do Hawaii para poder ouvir Infinita Highway nessa hora? Não sei, nunca tive um, mas fiquei com vontade. Uma pena, o máximo que conseguimos foi uma coletânea do Cat Stevens que acabou combinando bastante como o trajeto. Poderia ser também um Robertão com As curvas da estrada de Santos, mas que infelizmente também não encontramos na lojinha.
Só tenho uma coisa a dizer ,hit the road Jack, pois a Infinita Highway não é infinita mas é bonita para caralho.



(eu, minha mãe e os leões marinhos)
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
L.A WOMAN

É IMPOSSÍVEL andar por Los Angeles sem um óculos na cara. Tudo é muito claro, as ruas largas com longas e tortas palmeiras que cobrem os canteiros nas calçadas. A cada dez minutos você tem a impressão de estar num dos milhares de filmes americanos que você vem assistindo desde a mais tenra idade. In fact, é impressionante como toda essa cultura está impregnada em nossas memórias. Eu poderia ficar muito, bastante tempo por aqui. Mas, é o que todos dizem, sem um carro e um gps, nem venha para cá, pois para qualquer lugar que você queira ir, dá-lhe uma free way, uma high way, uma boulevard a milhas de distância. Mas guiar aqui é bom, as pessoas guiam bem, e eu devo ter levado no mínimo umas cinco broncas, das quais não entendi uma só palavra, sobre o meu modo brasileiro/paulista de guiar. Eu vi gente indignada comigo por conta de coisas que em São Paulo, ninguém sequer notaria. Reeducação sentimental no trânsito, é o que venho passando.

Outro problema que venho tendo é um lugar chamado Hugo´s, que fica a dez minutos do hotel onde estou hospedada. Um dinner, daqueles onde a moça fica repondo seu café cada vez que a xícara esvazia. O cardápio do Hugo´s é extenso, e não tem um item que eu não queira experimentar. Desde sucos malucos orgânicos, a eggs benedict, panquecas, frittatas, massas, iogurtes, tacos, etc etc etc E como tudo se faz de carro, onde gastar as calorias? Pois é.

Enquanto isso as pessoas malham em Venice Beach, uma mistura de praia, com vinte e cinco de março, galeria do rock, hospício, Arraial d´Ajuda, e algo mais que eu não sei nomear. Uma praia gigante, quadras de basquete, lojas e lojas de tatuagem, venda de maconha sob prescrição médica, junk food, lojas de souvenir, surf, out lets, freak shows, turistas,viciados em esculpir o corpo, uma gente maluca andando, uma fauna de gente com calções de banho esquisitos, patins, fantasias, sei lá, uma mistureba quase inenarrável. E o sol na cara. Dizem que de noite a barra pesa, não sei, não fui, mas acredito.

Aliás, a noite aqui acaba cedo. Não sei dos lugares onde não fui convidada a ir, mas nos bares, uma e meia acabou. Os drinks são geniais, bons mesmo, posso dizer isso com propriedade no assunto. Já os hamburgueres, quanta decepção, nossa carne é muito melhor. Aliás engraçado como São Paulo é uma cidade que se especializa tanto em fazer certas coisas que acaba fazendo melhor do que no país de origem. Assim como comemos pizza muito melhor na terrinha do que na Itália, o mesmo se aplica aos hamburgueres. E essa opinião é também de outros brasileiros que moram por aqui.
Já o chili, meu Deus, nada, nada se compara ao Chili americano.


Os dias voam para mim.


Santa Mônica, Silver Lake, Hollywood, calçada da fama, shoppings, O Getty Museum e é claro, o Halloween, que aqui é uma febre quase tão quente quanto o carnaval brasileiro. Dias antes, o povo começa a sair fantasiado, como se nada fosse. Até explodir num desfile/festa na Santa Mônica Boulevard, o maior Halloween do mundo, a menos de trinta metros do meu travesseiro. A princípio parece que a coisa vai pegar fogo, mas não sei se é por que não se pode andar com uma lata de cerveja na mão em público, ou o quê, mas a festa acaba sendo meio família. Minha mãe disse que lembra o carnaval de rua da época dela. Meio ingênuo talvez. Eu fiquei impressionada com as produções. Americano consegue fazer efeito especial até na hora de se fantasiar, uma verdadeira vitrine de esmero e dedicação em cada roupa. O equivalente ao preciosismo das produções de escolas de samba, só que em escala individual. Não durei mais que vinte minutos na festa, onde passei desapercebida pela multidão.
Fiz meus trinta e um anos com um pôr do sol no pier de Sta Mônica onde um grupo de cancioneiros mexicanos cantou parabéns a você para mim. E um jantar no Chateu Marmont, aquele onde a Sofia Coppola filmou seu último longa. Parece que o David Lynch come galinha lá, todo domingo a noite. Como só consegui mesa no bar e não no restaurante de fato, não posso confirmar o boato. Era domingo e eu comi a galinha especial do dia, e era boa, frita na manteiga, com um biscoito, purê, verduras. Um lugar lindo, onde comemos muito bem e tive que presenciar minha mãe roubando a margarita da mesa ao lado, deixada por dois marinhos à la Querele, que levantaram sem sorver um gole sequer do copo nublado de gelo e sal. Lua nova, um drink roubado, outros comprados, uma conta bem menos barra pesada que as facadas que tomamos nos restaurantes paulistanos. E a vida passando também. Como se nada fosse. Mas é.
O resto, como diz minha amiga Nina Crintz, não é perfumaria francesa, e sim farmácia americana.


















