segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Então eu comprei a mesa de centro, e achei que tudo estaria resolvido. E pintei uma parede de azul, e a outra de rosa. Você é corajosa, me disseram. Muito bem. E aí derrubei uma parede, dois armários, peguei a madeira restante, fiz um closet e achei que tudo estaria resolvido. Coloquei todas as roupas dentro e pensei: agora sim. tudo resolvido. E trabalhei e trabalhei e trabalhei. E achei que tudo estava sendo resolvido, que havia graxa suficiente na engrenagem. Depois comprei um filtro de barro, e um tapete belga, acho, para o banheiro do meio. Alguns dias depois pintei a pia do banheiro do meio de vermelho sangue. E coloquei uma foto do meu bisavô em cima dela. E achei que o tapete belga combinava com a cara do bisavô. E que tudo seria resolvido. E trabalhei. Sem brecha. Por que de fato as coisas estavam sendo resolvidas, ininterruptamente. A vida. Passei a tomar um copo de suco de uva orgânico por dia. Inclusive em manhãs de ressaca. Coloquei uma esteira ergométrica alugada dentro de casa e plantei um ficus atrás do sofá. Comprei um pote de lavanda, manjericão, alecrim. Por que com uma horta na área de serviço, o que poderia não estar resolvido? Revolvido. Rebobinado. Solucionado. Veio o calor. Mudei a posição da mesa do escritório. Reli alguns poemas de W. W., e tentei cantar a mim mesma naquela noite. Pus um rádio do lado do chuveiro e tomei inúmeros banhos ouvindo esta música. E toda água que escorria pelo ralo, após a intimidade de lavrar o corpo, toda água, toda gota dela, cada molécula de hidrogênio com oxigênio, escorria pelo ralo junto com a sujeira, sabão e o mesmo pensamento: agora sim. tudo. tudo resolvido. E depois de pintar a última parede de cinza, comprar o papel de parede, a cola, regar as plantas, não há nada mais o que possa ser feito por aqui. Na casa. A não ser viver nela.
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
Cachorrada!
E lá estava eu. Atrás de um homem com o dedo cortado envolto num guardanapo ensanguentado e na frente de um tipo com um trauma interno. Há duas horas, numa fila do pronto socorro, com uma mordida na coxa direita bem maior do que se imaginaria por aquele tipo de cão. "Trinta? Você tá tão assustada que achei que fosse mais nova..." disse a enfermeira. "Água com sabão, melhor que muito remédio.", ela dizia rindo. Engraçado como esse povo ri em salas de pronto atendimento. E você inerte, naquela maca molhada do álcool recém-evaporado do caso anterior."Tá doendo.", choraminguei, "Ah, dói mesmo, parece que o bicho agarra lá no músculo de um jeito que, olha, dói muito."
Paracetamol.
O Parque da Redenção, mesmo cenário da briga que tivemos no dia anterior. Não havia quase gente, só um monte de árvores, terra e brisa. De repente aquele cão, fincado na minha coxa direita. E um velho afobado, magro, mais raivoso que o próprio animal. E eu, pega absolutamente de surpresa como quase sempre na vida. Anti tetânica, anti-rábica, gaze e esparadrapo. A vida continua, ainda que doa. O roxo cresceu com o passar dos dias, a embocadura do bicho gravada na carne inchou, e a ferida começou a fechar. Enquanto isso, minha raiva de tudo minguava a cada hora. Não sei o que aquele cão viu em mim. Astor, seu nome. Mas ele deve ter farejado alguma coisa. Seja lá o que for, deixei tudo o que pude naquele parque, no hospital e nas salas de cinema onde me enfurnei nos dias subsequentes.
Paracetamol.
O Parque da Redenção, mesmo cenário da briga que tivemos no dia anterior. Não havia quase gente, só um monte de árvores, terra e brisa. De repente aquele cão, fincado na minha coxa direita. E um velho afobado, magro, mais raivoso que o próprio animal. E eu, pega absolutamente de surpresa como quase sempre na vida. Anti tetânica, anti-rábica, gaze e esparadrapo. A vida continua, ainda que doa. O roxo cresceu com o passar dos dias, a embocadura do bicho gravada na carne inchou, e a ferida começou a fechar. Enquanto isso, minha raiva de tudo minguava a cada hora. Não sei o que aquele cão viu em mim. Astor, seu nome. Mas ele deve ter farejado alguma coisa. Seja lá o que for, deixei tudo o que pude naquele parque, no hospital e nas salas de cinema onde me enfurnei nos dias subsequentes.
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
Pela Colômbia
Vista de Bogotá.
Noite em Cartagena.
BOGOTÁ
Os Colombianos são doces, sobretudo. E é estranho chegar num país onde as pessoas são doces com você, por livre espontânea vontade. Tudo que você pede ou pergunta é atendido com frases do tipo "Com mucho gusto" ou "A la orden" e por aí vai. Meu namorado disse que adoraria que eu respondesse a seus pedidos com frases do tipo. Prometi tentar.
Bogotá é uma espécie de Rio de Janeiro, a qualquer momento seus olhos podem se deparar com uma linda e imponente montanha. Mas ao contrário do Rio, é fria e chuvosa, como São Paulo, o que num primeiro momento confundiu os paradigmas visuais do meu cérebro viciado.
Em Bogotá comemos bem, tomamos chá de Coca por causa do mal estar que sentimos pela altura e tivemos uma carteira batida. Ah sim, em terra de gente gentil também existe ladrão, e lá eles são tão rápidos e eficientes, que se você ousar tirar os olhos de seus pertences por meio segundo, é imediatamente repreendido por algum passante. Ainda que bem informados, tivemos esta baixa.
O doce mais popular, o Arequipe, nosso doce de leite, é um desbunde entre os lábios. Encontramos um bom ceviche por esquina e os famosos patacones, "biscoitos" salgados feitos com banana da terra frita. Há muito que se ver em Bogotá, o Museu do Ouro, a deslumbrante coleção pessoal que Botero doou para o Museu que leva seu nome, entre outros.
Eu, só para variar, fiz a mala errada. Como íamos para Cartagena em seguida, levei todas as minhas roupas tropicais e mais adequadas ao clima caribenho que encontrei no armário. É como se tivesse feito uma mala para Olinda e viajasse para Curitiba. Cheguei numa Bogotá que media 12 graus com sandálias na bolsa. Mais uma vez, fatalmente, tive que gastar parte do orçamento da viagem num casaco.
CARTAGENA
No meio do caminho tinha um tucano,
e um nú em praça pública.
E finalmente, dois dias antes do ano novo, fomos a Cartagena, onde pude enfim, fazer uso da pouca roupa. Mas mais uma vez eu estava enganada. Fui para a Colômbia, por que as milhas da Tam podiam me levar até lá, mas também por que queria muito fugir da aflição do ano novo. Da busca da festa perfeita, dos rituais milagrosos e do vestido branco mais lindo do mundo. Pois é, eu queria um reveillon distante, quase místico, num país andino, cercada de guaiabeiras, tequila e artesanato. Acontece que Cartagena, junto com Punta e Trancoso, é um dos Points mais badalados do verão! E mal havia chegado, já estava eu, desavisadamente, tentando conseguir o convite para a festa perfeita, que intimamente costumo chamar de festa de Campari. Aquela festa com mulheres lindas e esvoaçantes na beira da piscina, drinks coloridos e homens de maxilar quadrados e sorrisos colgate. A festa de Campari em Cartagena. Ainda que contra minha vontade, eu procurava meios de achar um convite, comprar um vestido novo e quase sem perceber escorregava pela vala da aflicão do ano novo.
Em Cartagena comi muitos camarões, lagostas e peixes de todos os calibres. Só que para meu desapontamento em nenhum lugar do país consegui achar meu Kir Royal. Meu único ópio e drink predileto. Em São Paulo encontra-se Kir Royal em quase todos os lugares, e ele custa, em média, entre 14 e 25 reais. O único Kir que encontrei na Colômbia custava 60 reais a taça. Não tive coragem de pedir.
Cartagena é uma cidade murada quase a beira mar. Dá para imaginar a beleza do quadro? Desafortunadamente nosso hotel, apesar de ter muitas estrelas, ficava num bairro fora das muralhas, numa especie de Boissucanga longe de Paraty. Nada trágico, quase ninguém consegue ficar hospedado na cidade histórica, além do mais os taxis são uma pechincha e você pode se locomover para qualquer lugar a preço de um bilhete de ida e volta do metrô paulistano. Graças a Deus, pois Cartagena, como qualquer cidade turística, não é barata. Eu percebi isso assim que desembarquei, quando não me deixaram pegar o carrinho para levar as malas pelo aeroporto, sem que pagássemos o carregador. Tive comprovada minha teoria quando um sujeito, as quatro da manhã do dia primeiro de janeiro, quis nos cobrar o uso de seu isqueiro que pedimos emprestado para ascender as velas da barca improvisada para Iemanjá.
Não fui a festa jet set campari de Cartagena, mas comi uma deliciosa paella e passei a meia noite nos terraços de uma casa estonteante no centro histórico da cidade na companhia de pessoas adoráveis. E pedi paz. Eu que sempre achei cafona pedir paz no ano novo, que sempre pedi tormentas,trabalhos, paixões e excessos, desta vez pedi paz. Descobri, a tempo, que não há uma sequer maravilha externa que possa ser desfrutada quando há uma tormenta interna. Paz de espírito para uma vida agitada.
Em Cartagena fiz bons amigos, andei, bebi, mergulhei no mar azul-giz-de-cera do Caribe e comecei a malhar. Eu sou a única pessoa que sai de férias e começa, surpreendentemente e disciplinadamente, a malhar na academia dos hotéis.
BOGOTÁ
De volta a garoa de Bogotá conhecemos a catedral do Sal, dentro de uma mina, estranhíssima, cheia de enxofre, símbolos e estalictites salgados. Uma catedral feita para os mineiros e prevista para durar dois séculos. Fascinante. Azar o meu ter ido de saltos, pois achei que chegaria numa igreja, sentaria na terceira fileira para rezar uma ave-maria e fazer um pedido. Só que a visita da Catedral consistia em quase dois quilômetros de caminhada.
Vimos uma esposcão do Man Ray e cometemos as últimas loucuras com o cartão de crédito nos restaurantes da cidade antes de ir embora. O bom da Colômbia é que você pode dividir qualquer conta, inclusive as de restaurante em até 36 vezes. "Por supuesto", eles respondem, se você pedir para dividir seu capuccino em treze vezes!
Na última noite descubro finalmente um lugar que serve Kir Royal por apenas 12 reais. Sempre assim, as melhores coisas a gente descobre no último minuto. Faço as malas assistindo um show do The police na televisão do hotel ,da época que eles eram universitários. Por um instante me sinto antiga em pleno século vinte e um. Penso que a altura da cidade pode ter me deixado mais vulmerável. Vamos para aeroporto.
Voamos de Tam, que apesar de tocar axé no início e fim dos vôos, estava mais pontual e confiável que a Aerolíneas Argentinas, que na última viagem nos fez passar quase dois dias de espera em aeroportos e tinha um piloto que, tenho certeza, charmosa e descaradamente fumou uns três cigarros entre Buenos Aires e São Paulo.
Viva a América Latina. Feliz ano novo.
Catedral de Sal.
Botero é erótico
Amigos bons.

Um Helado para os dias quentes.
Uma barca para Iemanjá.
Brisa Caribenha.
Quase napoleônica- uma lhama chamada Mateo.
Pausa para o café.
Noite em Cartagena.
Os Colombianos são doces, sobretudo. E é estranho chegar num país onde as pessoas são doces com você, por livre espontânea vontade. Tudo que você pede ou pergunta é atendido com frases do tipo "Com mucho gusto" ou "A la orden" e por aí vai. Meu namorado disse que adoraria que eu respondesse a seus pedidos com frases do tipo. Prometi tentar.
Bogotá é uma espécie de Rio de Janeiro, a qualquer momento seus olhos podem se deparar com uma linda e imponente montanha. Mas ao contrário do Rio, é fria e chuvosa, como São Paulo, o que num primeiro momento confundiu os paradigmas visuais do meu cérebro viciado.
Em Bogotá comemos bem, tomamos chá de Coca por causa do mal estar que sentimos pela altura e tivemos uma carteira batida. Ah sim, em terra de gente gentil também existe ladrão, e lá eles são tão rápidos e eficientes, que se você ousar tirar os olhos de seus pertences por meio segundo, é imediatamente repreendido por algum passante. Ainda que bem informados, tivemos esta baixa.
O doce mais popular, o Arequipe, nosso doce de leite, é um desbunde entre os lábios. Encontramos um bom ceviche por esquina e os famosos patacones, "biscoitos" salgados feitos com banana da terra frita. Há muito que se ver em Bogotá, o Museu do Ouro, a deslumbrante coleção pessoal que Botero doou para o Museu que leva seu nome, entre outros.
Eu, só para variar, fiz a mala errada. Como íamos para Cartagena em seguida, levei todas as minhas roupas tropicais e mais adequadas ao clima caribenho que encontrei no armário. É como se tivesse feito uma mala para Olinda e viajasse para Curitiba. Cheguei numa Bogotá que media 12 graus com sandálias na bolsa. Mais uma vez, fatalmente, tive que gastar parte do orçamento da viagem num casaco.
CARTAGENA
No meio do caminho tinha um tucano,
e um nú em praça pública.
E finalmente, dois dias antes do ano novo, fomos a Cartagena, onde pude enfim, fazer uso da pouca roupa. Mas mais uma vez eu estava enganada. Fui para a Colômbia, por que as milhas da Tam podiam me levar até lá, mas também por que queria muito fugir da aflição do ano novo. Da busca da festa perfeita, dos rituais milagrosos e do vestido branco mais lindo do mundo. Pois é, eu queria um reveillon distante, quase místico, num país andino, cercada de guaiabeiras, tequila e artesanato. Acontece que Cartagena, junto com Punta e Trancoso, é um dos Points mais badalados do verão! E mal havia chegado, já estava eu, desavisadamente, tentando conseguir o convite para a festa perfeita, que intimamente costumo chamar de festa de Campari. Aquela festa com mulheres lindas e esvoaçantes na beira da piscina, drinks coloridos e homens de maxilar quadrados e sorrisos colgate. A festa de Campari em Cartagena. Ainda que contra minha vontade, eu procurava meios de achar um convite, comprar um vestido novo e quase sem perceber escorregava pela vala da aflicão do ano novo.
Em Cartagena comi muitos camarões, lagostas e peixes de todos os calibres. Só que para meu desapontamento em nenhum lugar do país consegui achar meu Kir Royal. Meu único ópio e drink predileto. Em São Paulo encontra-se Kir Royal em quase todos os lugares, e ele custa, em média, entre 14 e 25 reais. O único Kir que encontrei na Colômbia custava 60 reais a taça. Não tive coragem de pedir.
Cartagena é uma cidade murada quase a beira mar. Dá para imaginar a beleza do quadro? Desafortunadamente nosso hotel, apesar de ter muitas estrelas, ficava num bairro fora das muralhas, numa especie de Boissucanga longe de Paraty. Nada trágico, quase ninguém consegue ficar hospedado na cidade histórica, além do mais os taxis são uma pechincha e você pode se locomover para qualquer lugar a preço de um bilhete de ida e volta do metrô paulistano. Graças a Deus, pois Cartagena, como qualquer cidade turística, não é barata. Eu percebi isso assim que desembarquei, quando não me deixaram pegar o carrinho para levar as malas pelo aeroporto, sem que pagássemos o carregador. Tive comprovada minha teoria quando um sujeito, as quatro da manhã do dia primeiro de janeiro, quis nos cobrar o uso de seu isqueiro que pedimos emprestado para ascender as velas da barca improvisada para Iemanjá.
Não fui a festa jet set campari de Cartagena, mas comi uma deliciosa paella e passei a meia noite nos terraços de uma casa estonteante no centro histórico da cidade na companhia de pessoas adoráveis. E pedi paz. Eu que sempre achei cafona pedir paz no ano novo, que sempre pedi tormentas,trabalhos, paixões e excessos, desta vez pedi paz. Descobri, a tempo, que não há uma sequer maravilha externa que possa ser desfrutada quando há uma tormenta interna. Paz de espírito para uma vida agitada.
Em Cartagena fiz bons amigos, andei, bebi, mergulhei no mar azul-giz-de-cera do Caribe e comecei a malhar. Eu sou a única pessoa que sai de férias e começa, surpreendentemente e disciplinadamente, a malhar na academia dos hotéis.
BOGOTÁ
De volta a garoa de Bogotá conhecemos a catedral do Sal, dentro de uma mina, estranhíssima, cheia de enxofre, símbolos e estalictites salgados. Uma catedral feita para os mineiros e prevista para durar dois séculos. Fascinante. Azar o meu ter ido de saltos, pois achei que chegaria numa igreja, sentaria na terceira fileira para rezar uma ave-maria e fazer um pedido. Só que a visita da Catedral consistia em quase dois quilômetros de caminhada.
Vimos uma esposcão do Man Ray e cometemos as últimas loucuras com o cartão de crédito nos restaurantes da cidade antes de ir embora. O bom da Colômbia é que você pode dividir qualquer conta, inclusive as de restaurante em até 36 vezes. "Por supuesto", eles respondem, se você pedir para dividir seu capuccino em treze vezes!
Na última noite descubro finalmente um lugar que serve Kir Royal por apenas 12 reais. Sempre assim, as melhores coisas a gente descobre no último minuto. Faço as malas assistindo um show do The police na televisão do hotel ,da época que eles eram universitários. Por um instante me sinto antiga em pleno século vinte e um. Penso que a altura da cidade pode ter me deixado mais vulmerável. Vamos para aeroporto.
Voamos de Tam, que apesar de tocar axé no início e fim dos vôos, estava mais pontual e confiável que a Aerolíneas Argentinas, que na última viagem nos fez passar quase dois dias de espera em aeroportos e tinha um piloto que, tenho certeza, charmosa e descaradamente fumou uns três cigarros entre Buenos Aires e São Paulo.
Viva a América Latina. Feliz ano novo.
Catedral de Sal.
Amigos bons.
Uma barca para Iemanjá.
Brisa Caribenha.
Quase napoleônica- uma lhama chamada Mateo.
sábado, 25 de dezembro de 2010
nochebuena
Quando eu era pequena minha mãe deixava a mesa de casa montada com comidas natalinas durante os dias que antecediam o natal. Era uma mesa linda com castanhas, nozes inteiras a serem abertas, bolos de frutas e outras delícias da época. Eu passava dias rodeando a mesa, esperando o momento em que os bolos seriam cortados e o ataque seria liberado. Só que toda vez era uma grande decepção, a mesa era tão linda, tão tão linda, que eu esquecia que nenhum daqueles doces era de chocolate. Com os salgados era a mesma coisa, aquele peru maravilhoso, abacaxis rodeando travessas, farofas encrementadas e imponente cuzcuz de camarão. Dias de ansiedade, mas na hora agá, eu sempre achava o peru sem graça, a farofa com frutas demais, o tender muito esquisito e o cuzcuz nem se fala. Só me restavam as massas e o arroz branco. Eu achava engraçado os adultos se deliciando com todas aquelas comidas coloridas e ruins. A estrela do natal, na verdade, era dois pratos, de longe, os menos lindos da mesa: a rabanada, que minha avó Dorina fazia em minha homenagem, e a cumbuca gigante de cerejas pretas da casa da minha avó Flora.
Hoje eu gosto de todas as comidas esquisitas de natal que meu paladar infantil não sabia apreciar. Só que este ano voltei da Argentina com alguma intoxicação alimentar que me fez passar quase toda a ceia olhando as pessoas comerem. E assistindo as crianças correndo, os homens de whisquie na mão, as mulheres de champanhe em punho andando pela casa iluminada. Parece que os três dias que passei a água de coco deixaram meu corpo mais leve e minha sensibilidade um pouco a flor da pele demais.
O natal e todos seus significados me emociona e não poder tomar nenhum gole de champanhe deixou isso ainda mais claro. Dos tempos que eu fazia rondas em volta da mesa natalina da casa dos meus pais até noite de ontem, parece que não existiu mais que um segundo. Que coisa esquista o tempo. Apenas o segundo de agora, quando o todo o resto é memória e expectativa.
Que cada segundo deste ano recém nascido na madrugada de hoje receba toda a nossa atenção e gratidão. Feliz natal a todos, que vocês estejam na companhia de quem amam ou com essas pessoas no pensamento, e que tenham o coração leve e o estômago melhor que o meu para poderem se deliciar sem culpa e sem pressa neste fim de ano.
um beijo e obrigada pela companhia,

Ontem-foto tirada pela minha prima Aninha no momento da peçinha de natal que fazemos todos os anos. Em cena: da direita para a esquerda, eu, Nando no piano, Pedro, Laura no chão, Ana Beatriz, Davi e Caio. Grande elenco e a casa iluminada antes da chegada do papai noel.
Hoje eu gosto de todas as comidas esquisitas de natal que meu paladar infantil não sabia apreciar. Só que este ano voltei da Argentina com alguma intoxicação alimentar que me fez passar quase toda a ceia olhando as pessoas comerem. E assistindo as crianças correndo, os homens de whisquie na mão, as mulheres de champanhe em punho andando pela casa iluminada. Parece que os três dias que passei a água de coco deixaram meu corpo mais leve e minha sensibilidade um pouco a flor da pele demais.
O natal e todos seus significados me emociona e não poder tomar nenhum gole de champanhe deixou isso ainda mais claro. Dos tempos que eu fazia rondas em volta da mesa natalina da casa dos meus pais até noite de ontem, parece que não existiu mais que um segundo. Que coisa esquista o tempo. Apenas o segundo de agora, quando o todo o resto é memória e expectativa.
Que cada segundo deste ano recém nascido na madrugada de hoje receba toda a nossa atenção e gratidão. Feliz natal a todos, que vocês estejam na companhia de quem amam ou com essas pessoas no pensamento, e que tenham o coração leve e o estômago melhor que o meu para poderem se deliciar sem culpa e sem pressa neste fim de ano.
um beijo e obrigada pela companhia,

Ontem-foto tirada pela minha prima Aninha no momento da peçinha de natal que fazemos todos os anos. Em cena: da direita para a esquerda, eu, Nando no piano, Pedro, Laura no chão, Ana Beatriz, Davi e Caio. Grande elenco e a casa iluminada antes da chegada do papai noel.
sábado, 18 de dezembro de 2010
Patagonia
ave com brioche no bico

cafe da manha, cartao postal

saguao do hotel " em algum lugar do passado"

uma imagem

mae e filhas

um voo cancelado
outro voo atrasado
trafico aereo
ressaca no aeroporto
irritacao no aeroporto
budismo no aeroporto
uma dúzia de mini alfajores
meia dúzia de sanduiches ressecados
sucos de caixinha
conexoes portenhas
da congestao paulista
para o calor de buenos aires
ao frio de bariloche
uma mala com roupas erradas
uma pilha de saias curtas
para o vento glacial
uma cama com travesseiros de ganso
suores noturnos
e as duas montanhas de picos nevados
uma sobrinha com dores no ouvido
um teclado que nao obedece aos comandos de acento
flores amarelas
piscinas aquecidas
fondue, papeis de parede
horizontes
paisagens de poucas quinas
céu azul turquesa
tom sobre tom
e algum esquecimento
bons ares para 2011!
cafe da manha, cartao postal
saguao do hotel " em algum lugar do passado"
uma imagem
mae e filhas
um voo cancelado
outro voo atrasado
trafico aereo
ressaca no aeroporto
irritacao no aeroporto
budismo no aeroporto
uma dúzia de mini alfajores
meia dúzia de sanduiches ressecados
sucos de caixinha
conexoes portenhas
da congestao paulista
para o calor de buenos aires
ao frio de bariloche
uma mala com roupas erradas
uma pilha de saias curtas
para o vento glacial
uma cama com travesseiros de ganso
suores noturnos
e as duas montanhas de picos nevados
uma sobrinha com dores no ouvido
um teclado que nao obedece aos comandos de acento
flores amarelas
piscinas aquecidas
fondue, papeis de parede
horizontes
paisagens de poucas quinas
céu azul turquesa
tom sobre tom
e algum esquecimento
bons ares para 2011!
sábado, 4 de dezembro de 2010
Jerson e Jair
Por que com ventilador ligado, parece que chove no quarto. E eu que inventei de derrubar dois armários e fazer um closet. Justamente quando havia móveis suficientes na casa para abafar o barulho. E aí fiquei dias com os dois olhos vermelhos por conta do pó da cerejeira. Depois passei mais um dia achando que o cheiro de cola fazia algum efeito no meu corpo. E o marceneiro sumiu, ele e o irmão dele, sumiram e me deixaram com todas as roupas desalojadas. O Jerson e o Jair, dois irmãos marceneiros que com esses nomes poderiam até formar uma dupla sertaneja. Gerson e Jair fumam, tomam café frio e adoram meu gato. Só que agora sumiram. Me deixaram aqui, no calor, com meu ventilador pré jurássico e sem conseguir achar uma peça de roupa que preste para poder sair de casa. Nem um par de meias eu consigo formar. Bom, quem é que precisa de meias nesta temperatura?
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
o barulho

(foto de Murat-Suyur)
O começo dessa história parece um conto do Cortázar, ou algo parecido. Um dia ouvimos um barulho, que vinha do banheiro do meio. O apartamento tinha sido infiltrado pela água vazada da reforma do 62 e foram dias de água pingando, do mofo crescendo nas bordas de gesso, os tacos inflando, a umidade e agora aquele barulho.
Só podia vir da luz. Então desligamos a luz, e imaginamos que uma vez desligada e depois que a água secasse, o apito cessaria. Dias se passaram e o apito continuava.
Então passamos a observá-lo afim de notar alguma lógica em sua existência. Talvez ele diminuísse a noite ou parasse na madrugada? Mas o apito continuava, constante e igualmente irritante a cada minuto de nossa vida na casa. Certa manhã passamos a ignorá-lo, tiramos as lâmpadas, cortamos o dedo, fechamos a porta e abafamos o som com toalhas. Mas depois de alguns dias, ou bem nossos ouvidos estavam mais apurados ou o apito havia aumentado. Ligamos para a proprietária do 62 e exigimos um eletricista que resolvesse o nosso problema, que afinal era dela também. E veio um homem, que sujou todo apartamento com pegadas de poeira, tirou nosso lustre, fez uma cara feia e disse: "Esse barulho não vem daqui não.", "Como não, então vem da onde?!", "Sei não Senhora".
Mais alguns dias nasceram e morreram com o apito em nossas vidas. Algumas madrugadas cheguei acordar em vigília. Levantava da cama e ia checar o apito, aflita com a possibilidade de que ele desaparecesse sem a nossa ciência.
Devemos ter convivido com esse zumbido durante um mês. Então veio um especialista, o eletricista chefe. Desligou a energia do apartamento, tirou o lustre, encarou os fios: "Não é barulho de eletricidade não senhora.", "Mas é da onde?", "Sei não Senhora."
Foi nessa hora que surgiu a teoria de que o som, vinha de fora. Ou do corredor. Aí passamos a colocar os ouvidos na janela e em outros cantos da casa. E quanto mais procurávamos, mais o barulho parecia se safar.
Um dia eu disse:
"Chega desse cabelo. Pega a tesoura que eu vou cortar."
A resposta veio em alguns segundos.
"Achei!"
"O quê? a tesoura? "
"O barulho."
"Onde? onde ele tá?"
"Na gaveta, vem de dentro dessa coisa estranha."
Era o meu antigo aparelho de depilação. A água havia infiltrado os armários e a bateria do aparelho apitava como um navio distante dentro da gaveta.
Eu então desconectei as baterias que imediatamente fizeram o barulho desaparecer.
"Era isso?"
"Era."
"Que mais estúpida."
"Pois é, que vergonha."
"Bom, se perguntarem a gente diz que o barulho simplesmente parou."
"Combinado."
"Não vai me desmentir hem...e contar do meu aparelho de depilação."
"Não, que isso."
Mas eu não resisto ao relato. Lembrei daquelas histórias que a gente ouve com cinco ou seis anos de idade e sempre tem uma moral no fim. Depois a gente fica grande e pergunta "E a moral da história?". "Que moral?"
Pois essa tem: Às vezes o barulho vem de dentro.
terça-feira, 9 de novembro de 2010
última semana
sábado, 30 de outubro de 2010
a mulher de trinta anos
Com essa idade já tenho um bom material para algumas retrospectivas. Aí vai a primeira:
primeira classe

primeiro papel masculino

primeira foto queima filme

primeira comunhão

primeira tigresa

primeira bailarina

primórdios

a gangue

bernardas

amigas, queridas, entediadas

amor

irmãs

as fedidas mais cheirosas do Brasil

primas

irmã e vó

edukator

brutal

mulheres da vodka

foto de revista

meninas da loja

e os olhos

Hoje é meu aniversário. Há exatos vinte e nove anos e trezentos e sessenta e quatro dias atrás minha mãe resolveu fazer uma faxina na casa e eu fiz uma volta de trezentos e sessenta graus dentro da barriga dela. E foi assim que eu dei as caras por aqui, numa cesariana de última hora, sentada com a bunda onde supostamente a cabeça deveria estar. Já cortei um bolo hoje, mas não fiz nenhum pedido, porque isso eu faço todo dia. Hoje eu só agradeci. É claro que eu tenho problemas, frustrações, perengues, assim como quase todo mundo que está vivo e mora em São Paulo, pelo menos uma vez por dia acho a vida infernal. Mas isso não me impede de dizer que eu adoro tudo isso aqui, eu gosto desta condição, de estar viva, do dia de hoje, das possibilidades de amanhã e até da náusea ou saudades que sinto quando eu olho para trás. Eu gosto de datas como natal, aniversário, o que que eu posso fazer, apesar da braveza escorpiana e da selvageria que é a vida, eu sou uma eterna romântica, otimista, boa moça, ainda que as coisas estejam no seu pior estado, eu acho que depois que elas pioram, sempre vão melhorar. Eu sei, parece discurso de miss e não é lá muito charmoso, mas não estou nem aí para o retorno de saturno, pro inferno astral, pros cabelos brancos ou a balzaquice. Eu quero mais é me divertir e que os outros se divirtam também.
primeira classe

primeiro papel masculino

primeira foto queima filme

primeira comunhão

primeira tigresa

primeira bailarina

primórdios

a gangue

bernardas

amigas, queridas, entediadas

amor

irmãs

as fedidas mais cheirosas do Brasil

primas

irmã e vó

edukator

brutal

mulheres da vodka

foto de revista

meninas da loja

e os olhos

Hoje é meu aniversário. Há exatos vinte e nove anos e trezentos e sessenta e quatro dias atrás minha mãe resolveu fazer uma faxina na casa e eu fiz uma volta de trezentos e sessenta graus dentro da barriga dela. E foi assim que eu dei as caras por aqui, numa cesariana de última hora, sentada com a bunda onde supostamente a cabeça deveria estar. Já cortei um bolo hoje, mas não fiz nenhum pedido, porque isso eu faço todo dia. Hoje eu só agradeci. É claro que eu tenho problemas, frustrações, perengues, assim como quase todo mundo que está vivo e mora em São Paulo, pelo menos uma vez por dia acho a vida infernal. Mas isso não me impede de dizer que eu adoro tudo isso aqui, eu gosto desta condição, de estar viva, do dia de hoje, das possibilidades de amanhã e até da náusea ou saudades que sinto quando eu olho para trás. Eu gosto de datas como natal, aniversário, o que que eu posso fazer, apesar da braveza escorpiana e da selvageria que é a vida, eu sou uma eterna romântica, otimista, boa moça, ainda que as coisas estejam no seu pior estado, eu acho que depois que elas pioram, sempre vão melhorar. Eu sei, parece discurso de miss e não é lá muito charmoso, mas não estou nem aí para o retorno de saturno, pro inferno astral, pros cabelos brancos ou a balzaquice. Eu quero mais é me divertir e que os outros se divirtam também.
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
o embate
Esta semana estreio mais uma peça. Meu amigo Caco Galhardo, diante de meu convite para a estreia da terceira peça do ano, perguntou se eu estava abrindo uma pastelaria de peças. Não, retruquei na hora, não tem franquia, nem pastelaria, faço todas com igual afinco, é que teatro é assim mesmo, quando a maré está baixa, é uma seca total, e quando enche, todos os peixes vêm de uma vez só. Mas voltando ao "Rancor", minha personagem é uma jornalista, e por isso andei por algumas redações e consegui um convite para o debate no último domingo por que achei que seria um bom laboratório. De fato foi. Um lugar surreal, onde, apesar de todos os artificialismos, regras, imposições e interesses, me senti no meio de uma ágora grega, em pleno debate democrático. Quanta fúria, bagunça, ímpetos,controvérsias e excesso de opinião.
Os candidatos, que já se mostravam cansados na tv, pessoalmente pareciam mais cansados ainda. Nos intervalos seus assessores assemelhavam-se a treinadores de boxe colocando protetores de dentes e jogando água e auto-estima em cima de seus pupilos. Mas o mais interessante era ver a reação do outro candidato enquanto ouvia a resposta do seu adversário. Sim, por que na tv não tem contra plano em debate, mas pessoalmente é interessante ver um presidenciável ouvindo secamente seu oponente e matutando novas réplicas durante o discurso alheio. E a platéia! Quanto ruído, quantos blocos de anotacão, cliques de câmera, gunhidos, risos e onomatopéias soltas no ar; um capitulo a parte, sessenta segundos por minuto conectado ao twitter. Intercalava momentos de alta tensão com outros de extrema falta de educação. Kennedy Alencar, o mediador, pedia silêncio, mas de nada adiantava, o público não se continha. E eu não sabia ao certo como me portar. Antes de sair de casa estava com um vestido alegre, verde gritante. Já na frente do espelho do elevador, lembrei que não poderia ir com ele, imaginei uma platéia de homens e mulheres em ternos pretos e blazeres azuis marinhos. Me vi no meio deles, de verde limão. Voltei para o armário. Uma camisa vermelha. Não. Uma vestido azul. Não. Qual cor seria mais imparcial que o preto? E foi assim que me vesti, de negro, acompanhada da minha amiga Bel Coelho, do outro lado o governador, na frente de um senador e atrás de uma boa dúzia de políticos que costumo ver diariamente nas páginas do jornal. Eu, não mais atriz do que muitos que ali estavam, um peixe fora da água, a paisana, tentando me comportar da forma mais natural possível, segurando uma vontade gigante de gritar como se grita num campo de futebol.
Passei o tempo todo boquiaberta com o jogo, admirando algumas falas, me entediando com outras e torcendo. Para quem, não vem ao caso. O fato é que política é um negócio emocionante, um negócio feio, bonito também, e é só para quem tem muita vontade e sangue frio.
E eu, que costumo chorar só de ouvir os primeiros acordes do hino nacional, que me emociono quando alguém pronuncia a palavra pátria na minha frente, nunca contive tanta expectativa, espanto e riso diante do futuro do meu país.
Os candidatos, que já se mostravam cansados na tv, pessoalmente pareciam mais cansados ainda. Nos intervalos seus assessores assemelhavam-se a treinadores de boxe colocando protetores de dentes e jogando água e auto-estima em cima de seus pupilos. Mas o mais interessante era ver a reação do outro candidato enquanto ouvia a resposta do seu adversário. Sim, por que na tv não tem contra plano em debate, mas pessoalmente é interessante ver um presidenciável ouvindo secamente seu oponente e matutando novas réplicas durante o discurso alheio. E a platéia! Quanto ruído, quantos blocos de anotacão, cliques de câmera, gunhidos, risos e onomatopéias soltas no ar; um capitulo a parte, sessenta segundos por minuto conectado ao twitter. Intercalava momentos de alta tensão com outros de extrema falta de educação. Kennedy Alencar, o mediador, pedia silêncio, mas de nada adiantava, o público não se continha. E eu não sabia ao certo como me portar. Antes de sair de casa estava com um vestido alegre, verde gritante. Já na frente do espelho do elevador, lembrei que não poderia ir com ele, imaginei uma platéia de homens e mulheres em ternos pretos e blazeres azuis marinhos. Me vi no meio deles, de verde limão. Voltei para o armário. Uma camisa vermelha. Não. Uma vestido azul. Não. Qual cor seria mais imparcial que o preto? E foi assim que me vesti, de negro, acompanhada da minha amiga Bel Coelho, do outro lado o governador, na frente de um senador e atrás de uma boa dúzia de políticos que costumo ver diariamente nas páginas do jornal. Eu, não mais atriz do que muitos que ali estavam, um peixe fora da água, a paisana, tentando me comportar da forma mais natural possível, segurando uma vontade gigante de gritar como se grita num campo de futebol.
Passei o tempo todo boquiaberta com o jogo, admirando algumas falas, me entediando com outras e torcendo. Para quem, não vem ao caso. O fato é que política é um negócio emocionante, um negócio feio, bonito também, e é só para quem tem muita vontade e sangue frio.
E eu, que costumo chorar só de ouvir os primeiros acordes do hino nacional, que me emociono quando alguém pronuncia a palavra pátria na minha frente, nunca contive tanta expectativa, espanto e riso diante do futuro do meu país.
domingo, 10 de outubro de 2010
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
esta semana

uma ingenuidade: achar que a tinta esmalte vermelha ia aderir à pia branca do banheiro do meio.
uma gafe: dizer em alto e suficiente som a senha do meu cartão para a moça do caixa.
uma preguiça: descer três vezes a Consolação na hora do rush.
uma alegria: descer três vezes a Consolação na hora do rush para chegar no teatro.
uma esperteza: ir pela Angélica.
uma burrice: esquecer de ir pela Angélica.
um santo: dois, São Cosme e São Damião.
uma refeição perfeita: kir royal, hamburguer, kir royal
uma anti-refeição: engulir um club social sabor cebola entre um compromisso e outro.
uma novidade: chuvas fartas
outra novidade: Micaella está falando.
um cheiro: de gás.
um perigo: o gás vazando enquanto eu dormia.
um remake: o debate eleitoral.
uma desilusão democrática: atrás da outra.
uma saudade:
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