De lá para cá fiz novos poemas, neguei alguns antigos, comecei o blog, escrevi roteiros. Sempre tive medo de escrever muito e as pessoas acharem que eu não era mais atriz. Com a produção também, sempre com medo de produzir e achar que ninguém mais ia me convidar para atuar em mais nada por acharem que virei uma atriz independente e cheia de trabalho. O que de fato talvez esteja acontecendo (não a independência, e sim a falta de convite), mas enfim. Atriz é assim, se você elogia alguma coisa que ela fez que não se refira única exclusivamente a seu trabalho de atriz, ela logo desvia, "Não, mas eu sou atriz, só tô fazendo isso enquanto não aparece coisa melhor."
Atrizes são cheias de desejo, versões multifacetadas sobre muitas coisas ao mesmo tempo já, são chatas, generosas, competitivas, inseguras, cheias de si, profundas, loucas, prolixas, simples. Visionárias.
Mas eu falava dos poemas, que vêm e voltam nas entresafras da vida de intérprete, e por isso inscrevi meu livro no concurso, porque um livro de poema não publicado, é como cozinhar um negócio maravilhoso no fogão a lenha durante longo tempo e saber, de última hora, que ninguém vem para jantar. Aí você pega a travessa ainda esfumaçada e enfurna numa gaveta. E os poemas ficam lá entalados, esperando para sair. Mas junto com a menção honrosa veio o compromisso da Edith, do Marcelino, de publicar o livro no ano que vem. E assim a ceia permanece um pouco mais tempo engavetada, enquanto flano com os pés no chão.
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"Os poemas de Martha Nowill nos atravessam como "boiada em terra alheia" deixando a "estrada desassentada" e "poeira por todo lado". Não é todo dia que a gente encontra uma poeta com voz tão doce e vigorosa ao mesmo tempo. De uma doçura nada enjoativa. Seus poemas cortam sem machucar mesmo quando falam da solidão das madrugadas na metrópole, da fome do sexo não satisfeito, do desastre dos desencontros amorosos, da chatice do homem amado, do tédio. Suas imagens revelam a beleza e o mistério que se escondem sob o véu do cotidiano medíocre que nos sufoca."
Ivana Arruda Leite

(e enquanto não se ganha os concursos, os melhores assentos do avião ou coisa parecida, não é tão difícil assim conseguir uma garrafa de champanhe e conquistar a Ásia e a América do Sul num jogo de War. Satisfação instantânea e garantida.)
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